Como a Psicanálise Pode Ajudar no Tratamento da Ansiedade
- Cleyre Messias

- 1 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de nov. de 2025

Quem nunca sentiu o coração acelerar sem motivo aparente, ou se pegou imaginando mil cenários catastróficos em poucos segundos? A ansiedade, tão comum hoje, se infiltra nas pequenas cenas do cotidiano antes mesmo de ser nomeada.
Ela aparece de formas variadas: como preocupação constante, sensação de aperto no peito, dificuldade de dormir, irritação, medo de que algo ruim aconteça. Vivemos em um tempo que parece exigir muito de nós — produtividade, sucesso, estabilidade emocional — e, diante de tantas demandas, o sujeito se vê cada vez mais pressionado.
Mas afinal, o que a psicanálise pode oferecer diante da ansiedade?
Ansiedade: um sintoma que fala de um sujeito
Na psicanálise, a ansiedade não é apenas um mal-estar a ser eliminado rapidamente, mas um sinal de que algo no sujeito está em jogo. O sintoma é uma forma de expressão — ainda que dolorosa — de algo que não encontra outro modo de se dizer.
Por isso, em vez de tentar silenciar o sintoma, a psicanálise propõe escutá-lo.
Cada pessoa vive a ansiedade de um modo singular. Para uns, ela surge diante da perda de controle; para outros, aparece quando é preciso escolher, se posicionar, dizer não. O que causa angústia em uma pessoa pode ser indiferente a outra — e é justamente essa singularidade que o trabalho analítico busca alcançar.
O primeiro passo, então, é escutar o que a ansiedade tem a dizer — e é aí que entra a psicanálise.
A escuta como tratamento
No processo analítico, o tratamento não se dá por meio de conselhos, técnicas de relaxamento ou respostas prontas. O que se oferece é um espaço de fala e escuta, onde cada pessoa pode construir suas próprias respostas.
Ao falar livremente, o analisando começa a se aproximar do que o angustia, a reconhecer repetições e a encontrar novos modos de lidar com o que o faz sofrer.
A palavra, na psicanálise, tem um valor fundamental. É por meio dela que o sujeito pode se responsabilizar pela própria história, dando novos sentidos às experiências e, aos poucos, transformando sua relação com o sintoma.
Ansiedade e o mal-estar na cultura
Vivemos em uma época em que o imperativo é não parar — estar sempre disponível, sempre produzindo. As redes sociais, o trabalho e até o lazer parecem obedecer à lógica da performance. Nesse contexto, a ansiedade se torna quase uma forma de vida.




